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    VIAGEM

    COMIDA NORDESTINA

    Ele adora colocar coentro na comida. Mais tempero, mais sabor, cebola, alho, linguiça. Copo de feijão, arroz, comida nordestina. De um Nordeste que demorou para conhecer, mas a origem desse amor já sabia. 

    O avô que deixou sua terra natal, fugiu da seca para trabalhar num posto de gasolina.

    De onde ele estiver, consegue ver o neto reencontrando a família (porque no fundo já conhecia). O lugar em que cresceu, a janela que pulou ao brincar com seus irmãos e a árvore em frente à casa caída, que foi tudo o que restou.

    Eita vida! Será que um dia imaginou seu neto na mesma estrada em que ele partiu? Que a seca ali quase não existe mais. Que a família Pernambucana se orgulha da transposição do Rio São Francisco?

    O almoço com pamonha e a familiaridade com os aromas, o coentro, usado para cozinhar para os filhos dos irmãos. Sobrinho, tios, netos. E a comida nordestina.

    Ontem eu participei da minha primeira Oficina da Escrita para mulheres, e o exercício foi escrever sentimentos ao olhar uma foto espontânea da nossa galeria. Vi Allan com o buque de coentro e uma história toda me passou pela cabeça.

    Eu conheci esse rapaz há quase dez anos, já vi ele gostar e desgostar de muitas coisas, mas não de cozinhar, principalmente, a comida nordestina. De receber pessoas em casa, som alto, vozes, cantoria.. “chama fulano pra vir aqui em casa?”.

    Quando fui para o Pernambuco entendi tudinho. De uma história bonita e triste, dessas que dá vontade de escrever um livro, fazer um filme, contar para todo mundo da vila. Das pessoas que foram obrigadas a sair do interior em busca de emprego na Capital. Digo obrigada proposital, porque no fundo ninguém quer deixar sua terra natal. A gente foge da fome, da pobreza, porque quando a barriga ronca, não tem muito o que fazer.

    55 anos depois, a filha (mãe do Allan, minha sogra) vai procurar a família do pai, no interior do Pernambuco. Ela vai atrás das suas raízes. Conhece uma família linda, receptiva, tratam-se como conhecessem há nos – e não é mesmo? Se conheciam, mas ninguém sabia.

    Recebe com a mesa cheia de comida, de som alto, vozes, cantoria.. Viu a tal das raízes? As vezes a gente não precisa de muitas coisas que nos explique, não tá no livros, nos filmes, tá na gente. É só perguntar. Principalmente porque ele não teve a oportunidade de participar desse encontro – mas eu vejo eles olhando um para o outro, sorrindo e digo sempre “é a vida!”.

    Casa que o avô morou antes vir embora para São Paulo.

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